_ E você? ..._ Sou médica.
_ Mesmo? Que Máximo! Qual é a sua especialidade?
Segundos de dúvida. O que vou responder?...
_ Eu cuido de pessoas que morrem.
Segue-se um profundo silêncio. Falar de morte em uma festa é algo impensável. O clima fica tenso... Será que algum dia as pessoas serão capazes de desenvolver uma conversa simples e transformadora sobre a morte? Mas de quinze anos se passaram desde esse dia em que saí do armário. Assumi minha versão “cuido de pessoas que morrem” e, à revelia de quase todos os prognósticos da época, a conversa sobre a morte está ganhando espaço na vida. A prova disso? Estou escrevendo esse livro, e tem quem acredite que muita gente vai ler.
